Terno Rei - “Vigília” (2014)

Vigília é o titulo do álbum de estréia do quinteto paulistano Terno Rei.

O trabalho apresenta em dez faixas a transição da banda a uma nova direção em sua sonoridade, repleto de referências dream pop e uma brasilidade intrigante que flerta com o alternativo. É a transparência do momento atual de cada integrante, além de uma modificação nas estruturas musicais em relação a materiais anteriores, levando as melodias a ambientes introspectivos e um cuidado redobrado em cada passo executado.

Desde sua primeira audição, Vigília se revela um álbum conciso e intenso, prendendo a atenção pelos detalhes nos timbres, notas, ruídos e sussurros que percorrem pelas músicas. As guitarras de Greg Vinha e Bruno Paschoal soam livres e se destacam pela repetição de idéias, que geram um estado de calmaria por todo o álbum.

A sensação de melancolia abre caminho para que Ale Sater, responsável pelas vozes principais e contrabaixo, explore em suas letras um universo particular e por vezes emotivo, descrevendo de forma carregada as diversas situações de um lugar comum.

Na faixa de abertura “Manga Rosa”, é anunciada uma temática forte e constante no disco, nos versos “Cada retrato, uma memória, e bem no fundo a esperança de que um dia o paraíso volta”. Os riffs ganham aqui maior valor com a adição de um piano Rhodes, gravado pelo convidado especial Anselmo Mancini, que aparece também em outras duas canções.

A serenidade e o transe inicial dão lugar a “Luz de Bem”, que salta aos ouvidos como uma cortina sendo aberta no amanhecer. Na seqüência, o dedilhado de “Ela” se une à simplicidade das cordas e às batidas secas da bateria de Luis Cardoso, parecendo trilhar uma estrada limpa e silenciosa. As percussões de Victor Souza são também um ponto forte da obra, reforçando no grupo as influências de música popular brasileira e preenchendo os silêncios com precisão, contribuindo para o ritmo da narrativa.

“Salto da Pedra da Gávea”, com participação do trompetista Roger Brito, revela a notória crescente no disco e leva o ouvinte a uma viagem leve, vindo como uma brisa após o peso em “O Dia Raiou”. Cada elemento é cuidadosamente planejado, despertando memórias e nostalgias que poderiam ter como cenário tanto um pôr do sol como uma tarde cinzenta. “Esconderijo” e “Saudade” dão o tom final, trazendo uma beleza que remete aos melhores momentos sentimentais de Yo La Tengo, alternando delicadeza com o noise das guitarras.

Com produção e gravação de Guilherme Chiappetta, o álbum passa sua mensagem pela repetição, gerando um verdadeiro estado de Vigília.

Lançado em 15 de abril, nos formatos digital e CD pelo selo Balaclava Records.


Vigília (“Vigil”) is the title for the debut album from São Paulo’s quintet Terno Rei.

The work presents, in 10 tracks, the band’s transition to a new direction in its sonority, filled with dream pop references and an intriguing Brazilian root that flirts with alternative. It’s the transparency of the actual moment for each band member, plus a modification on its musical structures comparing to the band’s early materials, taking the melodies to introspective ambiance and extra caution in each step taken.

Since its first hearing, Vigília reveals itself as a concise and intense album, holding the attention for its details on tones, notes, noises and whispers that run throughout the songs. The guitars from Greg Vinha and Bruno Paschoal sound freely and spotlight the repetition of ideas, that generate a state of calm through the entire album.

The feeling of melancholy makes way for Ale Sater, responsible for the main vocals and bass, to explore in its lyrics a particular and sometimes, emotive universe, describing in an overloaded way the various situations of a common place.

In the opening track “Manga Rosa”, it is announced a strong and constant theme for the album, in its verses “In each picture, a memory, and deep down the hope that one day, the paradise will be back”. The riffs get a higher value with the addition of a Rhodes piano, recorded by special guest Anselmo Mancini, that also participantes in two songs more.

The serenity and initial smooth gives place to “Luz de Bem” that jumps to the ears like a curtain being opened at dawn. In sequence, the fingering in “Ela” unites with the simplicity from chords and dry drumbeats by Luis Cardoso, that sounds like trailing a silent and clean road. The percussions by Victor Souza are also a strong point, strengthening the influences from popular Brazilian music, filling the silence with precision, contributing to the narrative’s rhythm.

“Salto da Pedra da Gávea”, with trumpeter Roger Brito, reveals the notorious crescent on the álbum and takes the listener to a smooth trip, coming like a breeze after the strenght in “O Dia Raiou”. Each element is carefully planned, awakening memories and nostalgia that could have as background, the sunset in a grey afternoon. “Esconderijo” e “Saudade” give the final tone, bringing a certain beauty that refers to Yo La Tengo’s best sentimental moments, alternating finesse with noisy guitars.

With the recording and production by Guilherme Chiappetta, the album sends its message by repetition, generating a true state of Vigília.

Release scheduled for 27th of april, on digital formats and CD by the label Balaclava Records.